?

Log in

No account? Create an account
Pedro Ascar
28 May 2015 @ 03:37 pm
2015 como ano que mais me conheci, mais desbravei lugares que antes tivera medo de entrar, como aquela ferida que se protege demais de eventuais cutucadas. Pois bem, não só cutuquei, como enfiei, procurei, sem sopro, sem xilocaína ou mertiolate. Doeu, e só eu sei como doeu. Mas aquela consciência que vinha intercalada diante de tanta lágrima me dizia que se eu sobrevivesse dessa fase eu me tornaria a pessoa mais segura do mundo, pronta pra andar com minhas pernas.
A individualidade às vezes pega muito pesado. No geral, há tanta crítica, tanto negativismo, tanto ataque e dedos em riste, e falta calma, consolo, abraço e vulnerabilidade. Falta pensar no próximo. Sinto que de uns anos pra cá o ser humano foi ensinado - na defensiva - a ser orgulhoso, forte, autossuficiente, como se essas características fossem essenciais pra sobreviver na selva de pedra do século 21. Mal sabiam eles que a dor da geração é a de não conseguir se relacionar, chorar em público, dizer "eu te amo" e ser forte o suficiente pra pedir perdão. Sobra aqueles com bons currículos, mil seguidores no instagram, trezentas curtidas no facebook e falta aqueles que tem boas habilidades em acalentar, em dar as mãos, a planejar a vida a dois (a três, a quatro, dez). Na boa? A vida tá mecanizada demais. As pessoas estão precisando humanizar mais.
São tantos traumas envolvidos que chega a dar vontade de seguir a vida como Christopher McCandless, andando sem rumo procurando sentir a vida, com uma trilha de Eddie Vedder e um coração leve de frustrações. Poucos são aqueles dispostos a cuidar, a ter paciência, a lutar por algo verdadeiro. A sentar do lado, explicar, a abaixar o tom, a ceder, a surpreender e ansiar um sorriso do próximo com uma atitude boba. Mas pouco adianta... quem não está motivado não consegue nem vender uma nota de 10 por 5 reais. Quem não faz questão não dá a mão, não se contorce pra alinhar seus objetivos aos do outro, não troca uma noite de sono por uma noite abraçado.
Aprendi que tenho talento nato pra ser romântico bobo e nessa função percebi que sou movido a amor, àquelas pequenas coisas, aos abraços sem aviso, aos beijos inesperados em lugares inesperados, aos mimos de quem quer adular, ao olhar vulnerável de quem sabe o que quer e não abre mão. Quem entende que não é dinheiro nem tempo que faz um relacionamento incrível, quem entende que amar não tem hora nem preço, que se faz tudo e roda o mundo com força de vontade. Se quiser, meia noite vira meio-dia, 10 reais vira um pique-nique, e o resto? O resto é uma riqueza de palavras doces, sorrisos roubados e um discurso seguro de quem olha lá na frente. E que só vai se for de mãos dadas com você.
 
 
Listening to: Olafur Arnalds
 
 
Pedro Ascar
22 April 2015 @ 12:06 pm
Tava lembrando do jeito lúdico que você fecha a boca pra me dar selinho. Dos carinhos doces que me dá enquanto eu vejo TV. Da sua pele clara. Do seu peito que eu gosto tanto de tocar. Sua voz única e aquele carinho e proteçao que você tinha comigo há uns meses. Lembro o quão lindo você fica de social e o quão feliz eu fiquei com seu novo trabalho mesmo sabendo que poderia resultar nisso. Lembro que te amo nu, te amo vestido, te amo calado e te amo sofrido. Lembro o tanto que foi difícil dar em direção contrária a sua na última vez que você me deixou pra trás. Eu não me lembrava que doía tanto assim.
Fazem 3 dias que eu acordo à noite com pesadelo seu, que acordo pensando em você, que trabalho lembrando de você e que sinto sua falta. Faz 3 dias que me assusto com a genuinidade do meu amor, dessa intensidade. E do medo de passar por tudo que você me prometeu que nunca ia me fazer passar de novo.
Apesar de querer, hoje ainda não consigo ter raiva. Hoje só consigo ter uma vontade quase que incontrolável de ir até sua frente e dizer que te amo mais que ontem e menos que amanhã. Apesar de ter tirado a sua foto da minha carteira e jogado no chão, a minha covardia me traiu e me trouxe de volta pra buscá-la, eu não conseguiria te deixar lá onde você me colocou. Eu sinto sua falta. Como eu sinto.
Dói. Como dói. Ser rejeitado. Não ter amor correspondido. Nao ter um lutador do lado. Nao ter aquele final feliz que sempre quis. Nao provar pra todo mundo que eles tavam errados e que eu tenho o melhor tesouro do lado.
Você é uma droga que de imaginar sem cheirar, sem tocar, sem amar me faz berrar. Me corta por dentro, me faz tremer, querer espernear. Me faz assustar de depositar tanto da minha vida nas mãos de quem não acreditou de forma recíproca na gente.
Enquanto o rancor ainda não me pegou, obrigado por me fazer uma pessoa melhor, por me fazer chorar por alguém, por me permitir ter planos, ser menos eu e mais "nós", menos rua e mais casa, menos eles e mais a gente. Enquanto muitos sugerem pra que eu descanse e tenha um tempo pra mim, percebi que você me ensinou que individualidade e companheirismo andam juntos e eu simplesmente aprendi a amar ser uma dupla, te contar meu dia depois do trabalho, dar satisfação, dizer que eu cheguei bem em casa. Amei te esperar chegar em casa, combinar meu final de semana em casa contigo, planejar meu futuro ao seu lado. Hoje amo cuidar, surpreender, amar e ser amado. Afinal, a vida deve ser sobre isso.
 
 
Listening to: Take Me To Church
 
 
Pedro Ascar
29 July 2013 @ 09:04 pm
Como aquele dia em que nem lembro qual mais. Aquele dia em que acordei cedo e abri a janela do meu quarto e tudo doeu meu olho. Doeu porque estava colorido depois de tempos cinzas. Era incômodo o excesso de ar voltando aos meus pulmões e era fascinante perceber que tudo sempre esteve ali, diante de mim, e eu precisava dela para enxergar. Era igual aquele dia. Mas dois anos depois.
Acordei com seu hálito no meu nariz que, como uma droga, me dopava sem ao menos perceber. Era uma droga que eu já aprendia a viver sem, que não lembrava a textura, o cheiro, a forma, só lembrava que um dia fez minha cabeça. Aquele frio na espinha percorreu meu corpo já não acostumado destruindo qualquer tipo de vestígio, eliminando qualquer estímulo. E perdi, tudo. Olhei pra baixo e olhei minhas pernas com repreensão por não terem me obedecido no dia anterior. Bambas de tão leves, quase que inconscientes quando me roubou um beijo. O beijo que me tirou a consciência por minutos que não soube contar. O beijo que me desarmou de segurança e me trouxe à fortaleza. Aquele viciante que me deixava indeciso, ora de querer tudo pra mim e ora de desejar parar de fazer toda minha força e simplesmente cair no seu peito. Eu que pensava que todo esse tempo foi de luta, luta foi o que aconteceu em minha cabeça no começo daquela madrugada. Naquele mesmo lugar de sempre.
 
 
Pedro Ascar
11 February 2013 @ 01:45 am
Não é fácil receber críticas. Acho que pra ele menos ainda. Ouviu algo assim no último mês e teve a humildade de aceitar. Isso bateu de frente com algo que sua mãe sempre lhe disse. Mas ele nunca pensou que "ser exigente" fosse defeito. O problema é que não terminava por aí. Ela dizia "você é exigente...demais consigo mesmo". Seu ímpeto perfeccionista te destruia aos poucos, isso desde sua ambição profissional ao seu cuidado com seus amigos mais próximos.

Depois de tanto ouvir isso, resolveu se dar um tempo. Se dar um descanso. Ver as coisas sobre outra perspectiva. Dar leveza ao seu dia a dia. Como? Não levando as coisas tão a sério.


Ganhou muitas coisas positivas com isso. Aprendeu a sorrir mais. Arriscar mais. Viver mais. Mas tiveram sim alguns - poucos - pontos negativos. Teve que parar de importar tanto com as pessoas ao seu redor. Ele que sempre foi muito dependente de alguns, percebeu que deveria parar de mendigar tanta atenção, parar de dar a importância que nunca lhe deram. Trocando em miúdos: deveria parar de cobrar das pessoas o que ele dava/fazia por elas. Nesse momento houve uma ruptura. Ele, que tanto já havia se prejudicado pelo amor incondicional a esses poucos, já parava pra pensar um pouco em si agora, pela primeira vez em sua vida. Ele pararia de correr atrás pra perceber se alguém viria ao seu encontro de livre e espontânea vontade. E aí veio a verdade: foram poucos. Menos ainda.

Essa nova atitude era vista como frieza, egocentrismo, individualidade, vaidade, mas são só algumas características pra esconder o real motivo de toda a mudança de comportamento. É muito difícil olhar no espelho, não é? É muito difícil reconhecer fraquezas. Defeitos. Ele que o diga!

O mais absurdo disso tudo é que não lhe dava vontade de reverter situação alguma. Ele sabia que quando o orgulho de esconder a verdade acabasse, perceberiam que as características não eram dele, eram somente o reflexo de atitudes que os outros sempre tiveram, quando quem rastejava, no final das contas, era ele. Talvez tenha tido uma mudança sim. Ele percebeu que tem pernas e que rastejar já não era mais uma opção. Não mais pra ele.
 
 
Pedro Ascar
23 December 2012 @ 11:23 pm
2012  
O ano começou cheio de vontade de fazer tudo diferente. Acho que essa é a vontade que tanto encoraja as pessoas a começarem o ano novo com um gás diferente. Lembro de ver aqueles fogos de artifício estourando no céu e desenhando os momentos mais marcantes do meu 2011, tantas lágrimas foram derrubadas naquela areia de Copacabana, tantas histórias foram deixadas pra trás naquele posto 5.
Menos de duas semanas depois, meu status de relacionamento estava mudado e eu estava começando uma história que teve uma grande importância na minha vida. Particularmente, aprendi que é possível sim botar panos quentes em cima de memórias. É possível começar do zero e sentir tudo de novo.
No segundo mês do ano, fiz uma mini-tour passando por 4 cidades. Revi velhos e fiz novos amigos. Roubaram meu ipod e percebi que, depois de 4 dias sem dormir direito, é possível dormir em pleno aeroporto, quase perder o voo, dormir no chão e chorar de exaustão.
No terceiro comemorei 1 ano do meu segundo projeto, OH!FUCKmusic, que abri com um grande amigo, completando mais de 260 mil vizualizações durante os 12 meses.Também em março, inaugurei meu terceiro projeto pessoal, dessa vez completamente solo. Concretizei todo planejamento estratégico e criativo no que virou meu trabalho por todo o ano de 2012: Projeto Meio. Criei um evento pensando na necessidade que, pessoas como eu, tinham em ter a opção de sair e ouvir à boa música. Enfrentei obstáculos, engoli sapos, defendi pontos de vista, contei com pessoas incríveis que me apoiaram, aprendi a adaptar um conceito e cresci absurdamente como produtor.
Descobri que pessoas podem ser viciadas em mentiras. Percebi que alguns defeitos não são sinônimo de filha da putagem e sim reflexos de um passado particular. O status de relacionamento mudou de novo.

No quarto raspei meu cabelo, pela segunda vez na vida. Raspei pela necessidade de mudança e fui perceber somente no quinto que a mudança deveria ter sido de dentro pra fora, ao invés do contrário.

Em maio, fiz minha primeira tatuagem. 13/12/64, em grego, assim como a origem do nome da minha mãe, aniversariante da data que estará na minha perna pra sempre em forma de agradecimento.
No sexto, completei 21 anos e sai do patamar de blogueiro de música para colunista de música eletrônica de um site de São Paulo. Foram 28 artigos/resenhas publicadas, conhecimento musical e várias amizades feitas.

Alguns amigos foram e outros vieram. O que eu pensei que ficaria mal, me deu um alívio, e a vida me mostrou que é normal. Desliguei pessoas que eram fundamentais na minha vida, e conheci outras que agradeço todos os dias por ter tido a oportunidade de conhecer. Tudo na vida é feito de fases, alguns foram ímpares em uma, outros serão em outras.
No sétimo brinquei de invensível e conciliei 4 trabalhos simuntâneos. O suficiente pra me enlouquecer e me mostrar que ainda sim sou capaz. Lancei minha primeira faixa autoral. Com ajuda de amigos/produtores, lançamos "Concha en la cara", mesclando um portunhol bizarro com moombahton e dubstep através de uma parceria incrível que ainda gerará fruto no ano que vem

O mês que seria de descanso, foi época de desenterrar sentimentos. Tive uma semana ímpar e completamente inesperada que me fez perceber que os contos de fada não existem. Que tudo tem um fim e que o ponto final às vezes se torna a única opção. E ele se deu a partir de um beijo. O último.

No final do oitavo, viajei pra esquecer. Viajei pela necessidade do recomeçar. Viajei pra demarcar o novo Pedro. E ele nasceu novamente em terras cariocas, assim como aquela promessa no início do ano. Diante de reencontros com pessoas fundamentais na minha vida e sensações completamente novas percebi que posso ir mais longe. Percebi que rótulos existem só nas nossas cabeças e que sempre é uma boa hora pra aprender a andar de novo.
O engatinhar começou com uma grande mudança: larguei o fumo. Com um ensaio de 1 mês, cheguei ao último dia que botei um cigarro na boca: 26 de setembro. Voltei pra academia e iniciei a natação. Consegui 6 quilos de massa muscular. Me vejo hoje mais resistente e com fôlego que nem lembrava que tinha. Mal sabiam eles que aquele era só o início das várias mudanças
O recomeço doeu nos mais próximos porque muito do Pedro antigo havia morrido e muito havia ainda pra se conhecer. Minha forma de enxergar os problemas mudaram assim como a forma de resolvê-los. Dei um descanso aos amigos mais próximos dos lamentos e os reapresentei ao sorriso. O nono mês foi 30 dias com jogo virado: o auxílio vinha de mim, a parte forte também. E ainda bem que eu estava bem pra fazer bem àqueles que amo e precisavam.
Durante o décimo, parei de ver as coisas de uma forma tão metódica. Parei de julgar e de censurar. Me permiti a fazer coisas que antes nunca fizera. Me permiti pensar e agir diferente. Sorri mais, sai mais, dancei mais. Conheci novas pessoas, fiz novos amigos, aprendi mais sobre a diplomacia. Mudei minha imagem diante de muitos e tive o reflexo disso. Percebi que a vida é mais branda do que era na minha cabeça, que a maioria não racionaliza tanto quanto eu e que a ambição é apenas uma forma de guiar a vida, não de determiná-la.
No penúltimo, fiz meu primeiro live do SenseNOW. Cantei diante de 500 pessoas e recebi elogios pela forma original que propusemos.

Também no décimo primeiro, resgatei algo que tinha deixado pendente nos primeiros dias de janeiro. Comecei uma história de um jeito atípico, mas, afinal de contas, todo mundo sabe que o diferente que faz a diferença. Me permiti deixar os julgamentos e medos pra trás pra começar algo novo. Construí uma intimidade, me viciei no sorriso e me moldei por vontade própria. Tudo pela vontade de me perdoar pelo passado que eu vinha me condenando há anos. Me redescobri e aumentei ainda mais meu limite diante de várias coisas. Quebrei padrões, tabus e comportamentos. Não me arrependo de nada.

Ouvi de uma professora que admiro que sou um "estudante acima da média". Escolhi um tema que sou apaixonado pro meu projeto experimental. Depois de alguns sufocos, tudo está encaminhado para me formar em fevereiro. Falo mais sobre o que isso significa no texto do ano que vem, também.

Em dezembro, fiz minha segunda tatuagem. Mantendo a linha de homenagens: "Synasthesie" em código morse. Uma onda de som para homenagear a importância da música na minha vida.
No último (e atual) todos se encheram de planos. Natal e Reveillon são pautas. Eu sempre supersticioso, dessa vez vou passar, pela primeira vez, a virada no cerrado. Depois de muito pensar no que eu queria pro meu 2013, talvez esse seja a melhor forma de começar meu ano: do lado daqueles que mais amo. Eu não sei até quando os terei do meu lado quando quiser. Eu não sei se ano que vem, durante o texto de respectiva, eu os terei deixado pra procurar o que eu tanto busco. Tenho certeza que a meia noite será regada de olhares de despedida saudosistas partidos de mim e que ninguém vai entender.
Já na segunda quinzena de dezembro, me percebo maduro pra não julgar. Alguns caminhos não foram pra onde eu imaginei que iriam, mas consigo enxergar que eles foram por um motivo e esse é a busca individual da felicidade. Algumas mudanças são dolorosas, mas necessárias para que consigamos sorrir no final do dia. Algumas mudanças são necessárias para que percebamos até onde a confiança deve ir ou até onde ela merece chegar. No final das contas, as mudanças nos dão a oportunidade de fazer tudo diferente. Tudo melhor. Da mesma forma que se iniciou o ano lá em janeiro. E ainda bem que sinto a mesma coisa. 2012 foi um ano incrível.
Tags: